O consumo da massa
"Ninguém sente falta do que não conhece!" Certa vez minha esposa disse esta frase quando contava sobre crianças da Amazônia que brincavam felizes com bonecas de pano, afinal nunca haviam, sequer, ouvido falar de Barbie, por exemplo, ou nenhuma outra boneca ou brinquedo das crianças pseudo-civilizadas.
Enquanto isso, nós "privilegiados" seres desenvolvidos da faixa litorânea do país, todos os dias somos atacados por fabricantes e propagandistas através dos veículos de comunicação quanto à "necessidade" de consumo imediato por produtos que, muitas vezes, nem fazem o que se prestam.
Será mera coincidência o Ivy Lee, um jornalista que estudava o comportamento das massas e maneiras de usá-lo, considerado um dos pais da "Assessoria de Imprensa", ter criado seu escritório de publicidade nos EUA no início do séc. XX, mesmo país e época em que estourava a produção em série e popularização do automóvel com Henry Ford ou o mundo corporativo da época já notava que não existe popularização sem certa dose de manipulação?
Desde o início do séc. XX muita coisa mudou nos métodos de produção mundial, até que, em meados de sua segunda metade, outra explosão atinge a indústria, mas abala a massa: A Automação Industrial e a Popularização da Informática. A primeira provoca desemprego em massa fazendo com que operários busquem novas formas de sobrevivência, enquanto a segunda aumenta a velocidade e volume de informação, trazendo encapsulada a propaganda instigando o consumo, afinal "tudo gira em torno do que se fala, do que é promovido, do que é comunicado, do que se ganha a dimensão pública, do que atinge as massas". (Marcondes Filho, 1993).
Desenvolvimento: É isso que a sociedade vem buscando a todo custo ao longo de sua história, mas o desenvolvimento nas "ciências industriais" foi mais acelerado que nas "ciências naturais" e hoje se fala na próxima Revolução Industrial como a do Desenvolvimento Sustentável, pois, vivendo esta cultura de consumo, a população mundial, agiu no planeta como uma bactéria ou um vírus, pensando apenas em sua sobrevivência imediata consumindo todos os recursos naturais a sua volta e se vê agora, caminhando ao caos natural, na obrigação de utilizar todo o conhecimento e tecnologia acumulados para tentar reverter tudo, ou pelo menos parte do que fizemos ao planeta e se não conseguirmos, aquela criança amazonense que aprendeu a conviver e a respeitar a natureza, infelizmente, pagará junto.
Inteh!
Ale Melo










